terça-feira, 30 de setembro de 2008

A crise - Torquato Neto


I
(Ao redor de minha mesa no escuro
cadeiras imóveis que reclamam corpos
e não vêm)


Como um derradeiro suicida de após bomba
procuro aniquilar o inseto impossível
que continuo sendo
a zumbir sobre a minha própria cabeça
em mirabolantes circunvoltas.
Há em tudo uma extensa camada de sossego
que inquieta. O medo
tece invisíveis teias de pavor sobre o meu corpo.
Caras que não podem esbugalhar-se mais
observam impassíveis a destruição do mito.
E não choram.

II
Uma rosa branca nasceu no inferno.
Pudesse ser um consolo
e eu me agarraria a isto e não veria coisa alguma além.
Mas hei de . E o lutar anda muito inglório
atualmente.

Pergunta: Porque não mais sentir o inseto
apagando a cabeça?

Continuar poderia ser mais
ou menos,
mas não é.
O inseto vôa baixo e nao abaixa
sobre minha cabeça.
Rodo. o inseto vôa muito alto.
Viro. Subo. Salto.
O inseto sobe mais e sobe mais um pouco
e some. Mas a sua presença continua doendo
como se ele estivesse mesmo
encravado no meu fígado.

1 comentário:

Unknown disse...

Torquato Neto, junto com Wally Salomão, me mostrou a chamada
"poesia marginal". Hoje está em
falta isso... bom relembrar deh...
parabéns pelo post...
falow